![]() Serviços de Afiação da AçokorteComo é de conhecimento de todos que usam facas para trabalhar com madeira (tornos laminadores, faqueadeiras, picadores), a qualidade do produto final está totalmente ligada à qualidade de corte. Todos nós sabemos o que é uma lamina mal afiada, mesmo em nossas vidas pessoais, pois quem já não tentou fazer a barba com uma lâmina “cega”? Que sofrimento! E o resultado final? Um rosto cheio de marcas e cortes além do tempo perdido. Felizmente, no nosso dia a dia não mais precisamos afiar nossas lâminas de barbear como faziam nossos avós. Porém, infelizmente, não podemos usar facas descartáveis em madeira, principalmente para nós fabricantes de facas. Portanto necessitamos afiá-las periodicamente, com cuidados especiais, para obtermos um fio de corte perfeito com a máxima durabilidade. Para tanto vou dar algumas dicas para que se possa fazer a afiação com a melhor qualidade possível. Antes de mais nada, saliento que a afiação deve ser boa desde a primeira vez, pois um erro no começo de super aquecimento por exemplo, pode inutilizar a faca para sempre. É como quando compramos um alimento de primeira que necessita de refrigeração o deixamos fora da geladeira, não adianta retorná-lo a mesma depois de estragado, pois o mesmo não retomará as características originais. Então vamos aos pontos que poderão ajudá-lo a não estragar um bom produto. Primeiramente, a afiadora deve estar em bom estado, isto é sem vibrações e com uma boa refrigeração. O aspecto mais importante de uma afiação é não deixar a faca “esquentar” demais, pois ela perderá suas características originais (coloquialmente falando “destemperar a faca”). Alguns sinais de aquecimento são muito fáceis de se observar como alteração da cor do aço, fumaça no momento da operação, rendimento bom no primeiro uso da faca e após a afiação queda acentuada de desempenho. Observar se o fio de corte altera a coloração já que normalmente ele se torna azulado e em casos mais graves uma tonalidade marrom escura. Se isso acontecer, parar o procedimento imediatamente. Outro sinal de aquecimento é a ocorrência de fumaça no momento da afiação nesse caso parar imediatamente. Mas o que devemos fazer para que o superaquecimento não aconteça? Primeiramente vamos explicar conceitualmente, e posteriormente daremos algumas “regrinhas práticas”. O rebolo ou pedra de amolar, é um material feito com “óxido de alumínio” que nada mais são que pequenos grãos com arestas cortantes. Estes grãos removem o aço da faca, mas com o uso eles vão perdendo o fio de corte e arredondando, isto acontecendo, teoricamente eles deveriam se desprender dando lugar a novos grãos, pois se eles continuarem a trabalhar sem fio de corte, em vez de afiar eles somente aquecerão a faca.
Para que a renovação aconteça precisamos tomar cuidado com a especificação da dureza do rebolo e principalmente, estarmos sempre limpando a superfície do mesmo com uma “roseta” ou uma pedra mais dura que o próprio rebolo. É extremamente importante que superfície do rebolo esteja sempre limpa. Outro fator que contribui para que o rebolo não se renove é o tipo de líquido refrigerante, é necessário para retirar a oleosidade do rebolo. Para tanto recomendamos alguns tipos de óleo (vide tabela). Se estiver usando líquido refrigerante “branco” pare, pois este tipo de óleo é para usinagem e não para retifica já que ele “empasta” o rebolo não deixando que a renovação aconteça naturalmente.
O ideal é usar um cabeçote com pedras (segmentos) afastados uns dos outros para que a refrigeração penetre entre um segmento e outro. Caso não tenha o cabeçote referido não se preocupe, apenas redobre o cuidado na hora de avançar o cabeçote.
Jamais use a afiadora sem líquido refrigerante, e pior do que afiação “ a seco “ é uma refrigeração deficiente, pois estaremos aquecendo a faca e em seguida jogando liquido em quantidade insuficiente “retemperando” a mesma. Mas como saber se minha afiadora tem liquido refrigerante suficiente? O ideal é usar uma refrigeração com vazão de 50 litros por minuto. Faça um teste prático para se saber se existe tal vazão é pegando um recipiente com 50 litros aproximadamente e colocando a mangueira dentro cronometrando para saber se a mesma enche o “ balde “ em 01 minuto, ou se não existir um recipiente com tal dimensão fazer o teste proporcionalmente. O ponto de refrigeração também é importante, ele deve estar o mais próximo possível do rebolo, para resfriar, ou melhor não deixar aquecer o local da afiação. O principal sintoma de uma refrigeração inadequada é a faca estar muito quente, portanto teste com um toque após o cabeçote passar pela faca se é possível o toque com as mãos sem se queimar. A faca tem que estar levemente aquecida suficiente para se tocar e ficar com a mão sem sentir nenhum desconforto. O avanço é outro fator importantíssimo para não superaquecer a faca, não adianta termos o rebolo apropriado, refrigeração adequada se o avanço for excessivo. O recomendado é um avanço de 0,015 mm por passe. Outro ponto importante é observarmos o sentido de rotação do rebolo para fazermos o avanço, isto é, o avanço deve ser dado observando-se o sentido do fio de corte para o corpo da faca para “levarmos” o calor no sentido do corpo, então devemos observar em avançar o cabeçote somente quando o sentido for do fio de corte para o chanfro. Enfim todos esses procedimentos devem ser adotados para não aquecermos o fio de corte. Se existe aquecimento, é porque alguns dos fatores acima citados estão fora de padrão. Nesse caso, lembre-se de que o fio de corte é a área da faca que tem menor massa portanto é a que aquece mais rapidamente. Se o chanfro está aquecendo imagine o fio de corte que possui muito pouca massa. Após uma afiação correta e sem aquecimento vamos para outra etapa que é a “rebarbação”. Toda afiação deixa pequenos “fiapos” de aço que vulgarmente são chamados de rebarbas, e a maneira como se retiram as rebarbas influenciam na qualidade do fio de corte. Para retirar a rebarba corretamente não utilize um pedaço de madeira pois o mesmo arranca a rebarba a força, deixando minúsculas partículas quebradas no gume, causando cortes irregulares. Utilize uma pedra de rebarbar conforme figura 3.
Após a retirada do grosso da rebarba, use uma pedra um pouco mais fina com ligeira pressão, e com movimentos circulares perpendiculares ao fio de corte, observe atentamente para não apertar demais e estragar o fio de corte, ao acabamento final, use a pedra quase paralela ao chanfro com forte movimento circular, não suspenda demais a pedra pois alteraria o ângulo, fazendo o gume “cego”.
“Atenção na afiação” Problemas à vista quando: - sai fumaça; - pouca refrigeração; - o óleo é branco; - muda a cor da faca.
Produtos úteis para a afiação: A) Rebolo- Usar rebolo de preferência marrom (aglutinante com resina sintética) com tamanho 36 dureza H e estrutura 5, normalmente este rebolo ou Segmento tem aparência marrom. Caso use rebolos com aglutinante vitrificado (branco ou rosa), usar tamanho de grão 46 dureza H e estrutura 8. B) Líquido refrigerante- Usar líquido refrigerante tipo Termax (Fluído para Retífica nº 3) ou Yorga (Óleo RM-7). Este procedimento serve para qualquer tipo de faca para madeira, desde a desfolhadeira até a picadora, para as “facas calçadas”, facas inteiriças e mesmo para as mais modernas facas bimetálicas.
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